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dot 17/12/2009
Jorge Roberto Martins, produtor e apresentador do “Sala de música”, da Rádio MEC

“Há quem sustente, com um pé no romantismo, outro na poesia, que, quando mulheres instrumentistas se juntam, as escalas musicais agradecem, e as notas dão rasantes na pauta, de tanta alegria e prazer. Bem, recentemente, algumas se juntaram para formar a Orquestra Lunar. Formaram, encantaram a cada apresentação pelos bares e teatros, os palcos da cidade, estrearam em disco, pelo selo Rádio MEC, e não se acomodaram com a justa receptividade do público. Sem descurar da carreira solo, levam a Lunar em tudo que é local próprio à sua exuberância artística. Uma orquestra com crooners, característica que ganhou tradição ao longo dos anos, com arranjos ousados para clássicos e inéditas que compõem o seu qualificado repertório, e muito charme, evidentemente. Tudo isso resulta em alto grau de musicalidade. E, cá entre nós, uma delícia para os olhos, ouvidos e coração. Neste trabalho, a Orquestra Lunar — leia-se/ouça-se Áurea Martins e Vika Barcellos, vozes; Sheila Zagury, piano; Manoela Marinho, cavaquinho e violão; Kátia Preta Nascimento, trombone; Georgia Camara, bateria; Samantha Rennó, percussão; Luciana Requião, baixo; Sueli Faria, sax barítono e flauta; Monica Avila, sax alto e flauta — homenageia exatamente ‘uma das suas’, Áurea Martins, uma história maiúscula da noite carioca, da música brasileira. E é Áurea quem abre o disco ao lado de outra grande dama, Ivone Lara, na faixa ‘Divina missão’, parceria de Ivone Lara com Bruno Castro. O repertório, um total de 14 músicas, é um desfile de competência e estilo. Tem convidados especiais, representantes do gênero feminino, outra vez, evidentemente — Daniela Spielmann, Angela Suarez, Vera Andrade, Delia Fischer, Cristina Bhering, Daniela Rennó, Ana Costa; e tem composições compostas por mulheres — Sueli Costa, Fátima Guedes, Jovelina Pérola Negra, Carolina Cardoso de Menezes, Joyce, Chiquinha Gonzaga, Rosa Passos. É bem verdade que, em algumas parcerias, o homem diz ‘presente’ — Sergio Natureza, Paulo César Pinheiro, Abel Silva, o já citado Bruno Castro, Delcio Carvalho, Thiago Picchi, Armando Fernandes, Carlito Cavalcanti. Mas todos também dizem ‘amém’. E ouvem a Orquestra Lunar, cujo nome não é coincidência, é identidade.”

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